Miguel FranziniFaustina Paula CostaJosé Theodoro de Noronha FeitalMaria Antonia Biancardi

Marino Miguel FranziniMaria do Carmo de Noronha Feital

Augusta Maria Franzini

f a m í l i a
Irmãos(ãs):
Juliana Franzini
Augusta Maria Franzini
  • Nascimento: 2 maio 1806, Cç. Carmo, Conceição Nova, Lisboa
  • Casamento: 30 setembro 1843, Encarnaçao, Lisboa, Portugal, com Gonçalo Telo de Magalhães Colaço
  • Falecimento: antes de 1866

    AUGUSTA MARIA FRANZINI - N. a 2.5.1806 na Cç. Carmo, Conceição Nova, Lisboa, e b. a 21.6., ib.(ANTT, Registo de batismo da freguesia de Conceição Nova de Lisboa. Livro 9b, fl. 79v.) C. em 1843 na Encarnação, ib., c/ GONÇALO TELO DE MAGALHÃES COLAÇO, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Juiz de Direito, Cavaleiro da Torre e Espada, Oficial do Regimento de Infantaria Ligeira da Rainha (1832); n. em Vinha da Rainha, Soure; fº de José Telo Pereira de Brito e Almeida, Senhor da Casa de S. Gonçalo, Vinha da Rainha, ib., e de s. m. D. Madalena Máxima de Macedo Magalhães Colaço de Alarcão, c/ q. c. a 7.11.1800; neto pat. de José Pereira de Brito e Almeida; neto mat. de Gonçalo José de Macedo Magalhães, Fidalgo da Casa Real, Almoxarife, Tabelião e Vereador, no exercício de Juiz de Fora, na Lousã, n. Lousã, e de s. m. D. Mariana Bernarda Colaço Velasques Sarmento e Alarcão, c/ q. c. a 30.6.1770 no Espinhal, Penela. Separada do marido e recolhida no Convento de Nª Srª da Esperança, D. AUGUSTA MARIA FRANZINI, publicou em 1846 o folheto "Exposição dos cruéis tractamentos que soffreu D. Augusta Maria Franzini, praticados por seu marido Gonçalo Tello de Magalhães Collaço, pelos quaes se viu obrigada a pedir auxilio á justiça, a fim de obter a sua separação e divorcio."


    "D. Augusta Franzini nasceu a 2 de maio de 1806, tendo sido batizada na freguesia de Conceição Nova de Lisboa, a 21 de junho. Era filha de Marino Miguel Franzini (1779-1861), ministro do estado, militar e político português, e de sua esposa Maria do Carmo de Noronha Feital (1778-?).
    No dia 30 de setembro de 1843, D. Augusta casou por procuração com Gonçalo Teles de Magalhães Colaço, Fidalgo cavaleiro da Casa Real, Juiz de Direito e Cavaleiro da Torre e Espada. Seu marido era filho de José Telo Pereira de Brito e Almeida e D. Madalena Máxima de Macedo Magalhães Colaço de Alarcão. Um ano depois, a filha de Franzini descobriu que o marido a traía, e pouco mais tarde, que na realidade ele estava casado com Maria Engrácia Barroso, o que permitiu a Augusta avançar com o processo de reconhecimento da nulidade do seu matrimônio.
    O percurso da separação de D. Augusta foi escrito por ela, e é provável que tenha existido sob a forma manuscrita, já que a ela é atribuída a autoria de Exposição dos crueis tratamentos que sofreu D. Augusta Maria Franzini, praticados por seu marido Gonçalo Telo de Magalhães Colaço, pelos quais se viu obrigada a pedir auxilio à justiça, a de obter a sua separação e divórcio, que, segundo Inocêncio, existiria em Coimbra, mas que não foi encontrado durante esta investigação. Este percurso também pode ser acompanhado através das missivas enviadas por D. Augusta a seu pai, bem como por cartas anônimas recebidas por este em 1844. Estas encontram-se depositadas na Torre do Tombo, junto a outra documentação de Marino Franzini, e compõem o anexo II.
    Como já referimos, Gonçalo Telo não esteve presente na cerimônia em Lisboa e D. Augusta seguiu com a sogra, D. Madalena Máxima, para a casa de sua nova família, em Vinha da Rainha. No caminho ela escreveu para sua prima e seu pai. No ano seguinte, a 6 de julho de 1844, informa o pai de uma visita ao Convento da Batalha, no qual teria gravado o seu nome junto ao de sua sogra245. A 9 de agosto, relata que sua prima, que até então a acompanhava, retornará a Lisboa com notícias que ela não pode transmitir através de cartas246. No dia 5 de setembro, acredita que o pai já estava a par do assunto e pede-lhe que resolva a sua situação. Um mês depois, com data de 11 de outubro, informa o pai de um aborto natural, que ela chama “desmancho”, ocorrido em 25 de mês anterior e acrescenta: “não me lembro de ter feito nada que justifique dar causa a similhante acontecimento”, mas julga que a perda da criança se tenha devido à violência do marido.
    A partir desta missiva, D. Augusta refere-se ao seu divórcio como “negócio”, o que na época significava assunto, pedindo ao pai ajuda e instruções que lhe permitam consegui-lo. A 16 de fevereiro de 1845, D. Augusta residia ainda na casa do marido, para onde este não havia retornado desde os acontecimentos de setembro do ano anterior, e recebeu com alarme a chegada de alguns militares que tinham o propósito de a tirar de casa. Gonçalo Telo tinha-a acusado de roubo, pelo que ela não quis levar nada consigo, apenas um pequeno baú. Este foi aberto, e nele se encontravam as cartas assinadas por Marino Miguel Franzini, que D. Augusta havia ocultado do marido por tratarem das questões da separação.
    A 18 de março o marido tentou retirá-la, à força, da casa em que se encontrava, fazendo com que aqueles que a protegiam dele decidissem levá-la para Lisboa, como António Macedo informa M. M. Franzini em 28 de abril. D. Augusta teria ficado junto ao pai entre esta data e 3 de junho, quando escreve da Rua de Santa Catarina. Dois dias depois, já assinava suas cartas do Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Lisboa, local do qual são assinadas todas as suas outras missivas, e no qual ela professou, segundo o seu registo de batismo.
    Em 4 de julho deste mesmo ano, D. Augusta recebe notícias de Coimbra, pelas quais descobre o casamento de Gonçalo Telo com Maria Engrácia Barroso, “a Barroso” “estando no meu quarto senti bater a porta da Rua differentes vezes e hindo ver quem seria apenas chego á Salla vejo hum soldado de Cavalleria e tres homens com espingardas”.
    O registo de matrimónio deste casal não foi encontrado. Mas em 6 de fevereiro de 1843, antes da união de D. Augusta com Gonçalo Telo, este e Maria da Encarnação foram padrinhos de Jesuína, filha de Inácio da Rosa e Madalena Simões( AUC, Registos de batismo da freguesia de Vinha da Rainha de Souré. Livro 5b, fl 32 e 32v.)
    A confirmação desta união chega à autora cinco dias depois, tornando nula a união entre D. Augusta e Gonçalo Telo.
    Novas informações de Coimbra chegam ao convento a 17 de agosto, quando D. Augusta informa seu pai que o marido havia participado de uma briga e sido ferido. Dias depois diz pensar que “certa pessoa” teria acompanhado o marido a Vinha da Rainha, sendo que em setembro ele estaria a organizar festas em sua casa. A 4 de janeiro do ano seguinte já Gonçalo e Maria Engrácia eram pais de “outra” menina.
    A primeira menção ao texto que criou seu lugar na lista de Inocêncio aparece também nas cartas escritas ao pai, concretamente a 15 de setembro de 1845, quando ela o informa da sua intenção de escrever um relato sobre os acontecimentos referentes ao processo de nulidade de seu casamento. A 3 de abril de ano seguinte, pede ao pai que não entregue nenhum exemplar de sua autoria sem a informar e, em dezembro do mesmo ano, que os mesmos não sejam remetidos para o convento. Esta é a última de suas missivas a que tivermos acesso. Não encontrámos o registo de óbito desta senhora." (Fonte: BIGUELINI, Elen - Tenho escrevinhado muito: mulheres que escreveram em Portugal (1800-1850). Coimbra : [s.n.], 2017. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/79402, p.61-63). Veja também na mesma obra as páginas 332-334 e 393-416.

    No dia 30 de setembro de 1843, D. Augusta casou por procuração com Gonçalo Teles de Magalhães Colaço, Fidalgo cavaleiro da Casa Real, Juiz de Direito e Cavaleiro da Torre e Espada. (Fonte: 235ANTT, Registos de casamento da freguesia de Encarnação de Lisboa. Livro 20c, fl. 267v.)



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